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PESSOAS

Alguns aspectos da vida de Grandes Nomes do Passado: Glisson

Como já disse o historiador português Vitorino Magalhães Coutinho em 2011: “A História é um constante diálogo entre as personagens e as estruturas existentes”.

Baseado nisto e para fazer justiça quando escrevemos ou falamos sobre qualquer estrutura anatômica, fazemos inicialmente obedecendo à Terminologia Anatômica oficial e em seguida colocamos entre parênteses o(s) epônimo(s) correspondente(s). 

Achamos que o epônimo nos estimula a querer saber quem são esses personagens que descobriram, 

explicaram ou, principalmente, deram a devida importância às estruturas descobertas e descritas. Ao procurar saber quem eram esses verdadeiros heróis, acabamos por conhecer mais a belíssima História da Medicina e sem sentir aprendemos a Medicina propriamente dita.


Assim vejamos a atualmente chamada cápsula fibrosa perivascular do fígado, ou seja, a cápsula de Glisson.


Quem foi Glisson?


Francis Glisson (1597-1667) foi um médico inglês nascido na aldeia de Rampisham em Dorset, mas que viveu em Londres após receber seu grau de médico em 1634. Foi membro e presidente do Royal College of Physicians e Regius Professor de Clínica em Cambridge. Descreveu o escorbuto e os cálculos biliares. 


Demonstrou, genialmente, que o músculo não aumenta seu volume durante a contração ao mergulhá-lo na  água e constatar que o nível do líquido não mudava.

 

Alguns Aspectos da Vida de Grandes Nomes do Passado: Rathke

Bolsa craniobucal ou bolsa craniofaríngea, ou seja, Bolsa de Rathke.


Quem foi Rathke?


Martin Heinrich Rathke (1793-1860) foi um embriologista e anatomista alemão nascido em Gdańsk (atualmente na Polônia). Estudou Medicina e História Natural em Göttingen e Berlim, onde se graduou médico em 1818. Em 1835, tornou-se professor de Anatomia e Zoologia em Königsberg. É considerado um dos fundadores da moderna Embriologia.


Descreveu, entre outras coisas, a evolução do divertículo da cavidade bucal embrionária localizado na parte mais alta da faringe, de onde se origina o lobo anterior da hipófise. Por isso pode ser encontrado com o nome de bolsa hipofisária. Esse divertículo, após dar origem à adeno-hipófise (partes anterior e intermediária), desaparece na sexta semana. Quando persiste pode dar origem a um craniofaringeoma.


Em 1832, descobriu estruturas em aves e mamíferos homólogas às brânquias dos peixes. Essas fendas branquiais são homólogas às fendas branquiais embrionárias humanas que se fecham e cujo revestimento mucoso interno dá origem a várias estruturas como tonsilas, paratiroides e timo. Em alguns casos permanecem abertas originando persistências das fendas branquiais que requerem tratamento cirúrgico.


A descoberta das fendas branquiais em mamíferos, inclusive no ser humano, é um dos muitos fatos que confirmam a famosa “lei de Haeckel” (Ernst Philipp Heinrich August Haeckel, 1834-1919): “A ontogenia repete a filogenia”.

 

O que tem Napoleão Bonaparte a ver com a Vacina Antivariólica?

É bem conhecido o ódio que o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) tinha a tudo que fosse da Inglaterra. Entretanto – quando soube que o médico inglês Edward Jenner (1749-1823) descobrira a vacina contra a varíola – apressou-se a ordenar que todas as suas tropas fossem vacinadas, o que aconteceu por ocasião da guerra contra os britânicos (1803-1805). Posteriormente, determinou que os franceses civis também fossem vacinados. A vacina atingiu o auge da fama na França napoleônica com a vacinação do filho do imperador, o príncipe Francisco Carlos José Bonaparte (Rei de Roma), com a idade de 52 dias. O procedimento foi feito no dia 1.º de maio de 1811 e divulgado em todo o Império.


Napoleão havia sido coroado imperador em 1804, mas desde 1803 a França estava em guerra contra a Grã-Bretanha. Naturalmente muitos ingleses foram feitos prisioneiros; entre eles dois amigos de Jenner, que tentou interceder por eles. Assim, no início de 1805, Edward Jenner dirigiu-se diretamente ao imperador Napoleão “solicitando humildemente” que dois de seus amigos, ambos homens da ciência e da literatura, pudessem voltar para a Inglaterra. Estes dois homens eram o Sr. William Thomas Williams, residente em Nancy, e o Dr. Wickham, então em Genebra. Quando Napoleão estava a ponto de rejeitar o pedido, a imperatriz Josefina lembrou que se tratava de Jenner. O Imperador parou por um instante e exclamou: “Ah, Jenner, je ne puis rien refuser a Jenner (Ah, Jenner, nada posso recusar a Jenner)!” E os dois ingleses foram libertados.